quinta-feira, 1 de março de 2012

Lagarta falsa-medideira: um problema real para a cultura da soja

A Lagarta falsa-medideira (Pseudoplusia includens) foi considerada a praga mais devastadora na ultima safra. Devido aos veranicos, temperaturas elevadas e úmidas abaixo de 60% nesses últimos meses, houve um grande aumento da população dessa praga nessa safra de 2011/2012.

“Além disso, é possível afirmar que a aplicação exagerada de inseticidas sem critério técnico, no início do desenvolvimento da soja, não obedecendo aos níveis de dano indicados no manejo integrado de pragas afetou negativamente as populações dos inimigos naturais”, explica a pesquisadora Clara Beatriz Hoffmann, da Embrapa Soja. Com o uso indevido de inseticidas, as populações de lagarta falsa-medideira já não eram mais controladas pelos seus inimigos naturais, como vespinhas (Copidosoma sp) por exemplo.

Além disso, também se tem o uso de fungicidas não seletivos para controle da ferrugem asiática, isso aumenta os problemas com a lagarta falsa-medideira, reduzindo as doenças doença branca e a marrom, não controlando a praga.


Segundo o pesquisador Adeney de Freitas Buenos, da Embrapa Soja, devemos combater essa praga no seu período reprodutivo. “É importante realizar o monitoramente das pragas com o auxílio do pano-de-batida e aplicar o inseticida apenas quando for necessário (30% de desfolha no vegetativo ou 15% de desfolha no reprodutivo). Além da aplicação no momento certo, é importante escolher um produto registrado para a lagarta falsa-medideira”, diz Bueno.

Pesquisadores da Embrapa dizem que os hábitos dessa lagarta é diferente da lagarta-da-soja. “A lagarta falsa-medideira é mais tolerante a inseticidas e para o seu controle necessita de doses de duas a quatro vezes maiores. Ela se alimenta de folhas da parte mediana da planta e ocorre no período reprodutivo da soja. Dessa forma, fica “protegida” pela parte superior (dossel) da planta que nessa fase da cultura está fechado. Isso dificulta o contato do inseticida com a praga e ainda é agravado, quando se utiliza um baixo volume do produto recomendado por hectare”, dizem os pesquisadores.

Apesar dos efeitos causados por essa praga, pesquisadores dizem que a mesma pode ser controlada com o manejo integrado de pragas. “É preciso realizar monitoramento constante, respeitar os níveis de ação e usar uma boa tecnologia de aplicação dos inseticidas” destacam.

Logo abaixo você poderá conferir uma entrevista com o pesquisador Adeney de Freitas Bueno, da Embrapa Soja. 





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